
Um aplicativo chinês de nome inusitado vem chamando atenção e conquistando milhões de usuários na China. Batizado de Sileme — que em inglês significa Are You Dead? e, em português, “Você está morto?” — o app se popularizou ao oferecer uma solução simples para monitorar pessoas que vivem sozinhas, realidade cada vez mais comum no país.
A proposta é direta: evitar que alguém passe mal ou morra dentro de casa sem que ninguém perceba. Segundo a BBC britânica, o aplicativo viralizou nas redes sociais e rapidamente entrou para a lista dos mais baixados, impulsionado principalmente por jovens que moram sozinhos em grandes centros urbanos.
Desenvolvido pela empresa Moonscape Technologies, o Sileme surgiu como um projeto de segurança pessoal. Inicialmente gratuito, passou a ser pago, com custo de 8 yuans (cerca de R$ 5,60), sem perder popularidade. O funcionamento é simples: a cada 48 horas, o usuário precisa apertar um botão confirmando que está bem.
Caso essa confirmação não aconteça dentro do prazo, o sistema entende que pode haver um problema e envia automaticamente um alerta para um contato de emergência previamente cadastrado. A mensagem informa que o usuário pode estar em perigo e pede que a pessoa vá checar a situação, funcionando como uma checagem rápida e indireta.
O sucesso do aplicativo está diretamente ligado a uma mudança social profunda. A China deve chegar a cerca de 200 milhões de lares com apenas uma pessoa até 2030, cenário que aumenta o medo de morrer sozinho sem ser notado. Estudantes longe da família, trabalhadores solitários e pessoas tímidas estão entre os principais usuários.
Apesar da aceitação, o nome do aplicativo gerou críticas por ser considerado pesado e de mau agouro. Diante disso, a empresa já estuda mudanças para facilitar a expansão internacional. Em alguns países, o app já aparece com o nome Demumu, mais neutro.
Atualmente, o aplicativo figura entre os mais baixados pagos em países como Estados Unidos, Singapura e Hong Kong, impulsionado por chineses que vivem no exterior. A empresa também avalia versões específicas para idosos, um público crescente em um país onde mais de 20% da população já tem mais de 60 anos, ampliando a demanda por soluções que unam tecnologia, cuidado e simplicidade.
