
Uma fotografia que mostra o menino Mikaeil Mirdoraghi acenando para a mãe antes de sair para a escola passou a circular amplamente nas redes sociais após a morte dele em um bombardeio ocorrido no sul do Irã. A imagem foi registrada horas antes do ataque que atingiu uma escola na cidade de Minab, no dia 28 de fevereiro.
Segundo a imprensa iraniana, o garoto morreu no primeiro dia do conflito. O bombardeio teria atingido a escola e deixado cerca de 175 mortos, a maioria crianças, conforme informações divulgadas pelo jornal The New York Times.
Em entrevista ao jornal iraniano Hamshahri, controlado pela prefeitura de Teerã, a mãe do menino contou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa para a aula.
Ela também relembrou momentos das últimas horas de vida do garoto. Na noite anterior ao ataque, segundo ela, o menino elogiou a comida preparada em casa e chegou a brincar de “guerra” com o irmão antes de dormir.
Durante a brincadeira, ele teria dito: “Eu sou o Irã e você é os Estados Unidos”. Em seguida, comemorou dizendo que havia vencido.
O nome de Mikaeil aparece em listas de vítimas divulgadas pela mídia estatal iraniana, que classifica as crianças mortas como “mártires”. O governo do país acusa os Estados Unidos e Israel de responsabilidade pelo ataque e afirma que o episódio configura um crime de guerra.
A fotografia do menino acenando se tornou um símbolo da tragédia e passou a ser compartilhada por perfis ligados ao governo iraniano e por milhares de usuários nas redes sociais.
Ferramentas de verificação indicam que a imagem possui alta probabilidade de ser autêntica e não gerada por inteligência artificial.
Investigação sobre o ataque
Uma reportagem publicada pelo The New York Times aponta que vídeos e outras evidências sugerem que um míssil lançado pelos Estados Unidos teria atingido uma área próxima à escola em Minab.
De acordo com o jornal, análises de imagens de satélite, vídeos e relatos indicam que o ataque foi direcionado a uma instalação militar nas proximidades. Em um dos registros divulgados, um míssil americano aparece atingindo uma clínica dentro de uma base naval, enquanto colunas de fumaça e poeira surgem na região onde ficava a escola.
Entre os países envolvidos no conflito, apenas os EUA possuem mísseis do tipo Tomahawk, o que reforça a hipótese levantada pela investigação.
A agência Reuters informou que uma apuração preliminar conduzida pelos próprios militares americanos aponta que forças dos EUA provavelmente foram responsáveis pelo ataque.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o episódio ainda está sendo investigado. Em declarações anteriores, ele chegou a sugerir que o próprio Irã poderia ter causado a explosão.
