
Uma cena descrita como de choque e desespero levou a Polícia Militar a registrar, neste domingo (8), uma ocorrência de suspeita de maus-tratos contra animais em um sítio localizado no município de Gravatal. A protetora independente Ivânia Beatriz Pires, moradora de Tubarão e responsável por 77 cães resgatados, encontrou animais mortos e feridos no local onde mantém um abrigo improvisado, situação que agora está sob apuração das autoridades.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, Ivânia relatou que, ao chegar ao sítio para alimentar os cães, percebeu a ausência de um dos animais, que costumava ficar próximo ao local da alimentação. Após buscas, o encontrou morto dentro de uma das casinhas. Em seguida, ao continuar procurando outros cães pelo terreno, localizou uma cadela gravemente ferida, ainda com vida, apresentando perfurações. Diante da situação, a Polícia Militar foi acionada e o animal ferido encaminhado com urgência para atendimento em um hospital veterinário de Tubarão. As causas da morte e dos ferimentos ainda dependem de laudos veterinários.
Após o registro da ocorrência, Ivânia informou que outro cão morreu posteriormente, elevando para dois o número de animais mortos. Segundo a protetora, esse segundo óbito também será submetido à avaliação veterinária para apuração da causa da morte. Essa atualização não consta no boletim inicial e deverá ser considerada no decorrer das investigações. Até o momento, não há suspeitos identificados, e as circunstâncias dos fatos seguem sob apuração.
O episódio ocorre em meio a um momento de extrema tensão. O sítio em Gravatal onde os cães estão abrigados foi vendido após a morte do antigo proprietário, e uma ação de despejo foi protocolada pelo novo dono, o que obriga a retirada dos animais do local. Enquanto isso, com apoio do Instituto Nossa Família, voluntários e doações, está em construção um novo abrigo para os cães na localidade de Rio do Pouso, em Tubarão.
Segundo o Instituto, mais de R$ 140 mil já foram investidos em terraplanagem, materiais e estrutura inicial do novo espaço, que ainda não foi concluído. Enquanto as obras seguem, os cães permanecem no sítio atual, em um cenário descrito por voluntários como de insegurança e vulnerabilidade. A Polícia Militar confirmou o registro da ocorrência, e o caso poderá ser encaminhado à Polícia Civil para investigação, conforme o avanço da apuração e a emissão dos laudos técnicos.
