
Uma diretora de escola municipal de Caxambu, no Sul de Minas Gerais, pode responder por maus-tratos após obrigar um aluno de 10 anos a beber a própria urina como forma de punição, confirmou o Ministério Público. O caso ocorreu em 10 de agosto na Escola Municipal Padre Correia de Almeida, depois que o menino urinou na garrafa de água de uma colega da mesma idade — episódio percebido a tempo por uma professora de apoio, que encaminhou o aluno à diretoria. Foi ali, segundo a investigação, que ele teria sido forçado a ingerir o próprio líquido como castigo pelo que fez.
"A princípio, o crime de maus tratos, considerando que a profissional, a criança estava submetida sob a autoridade dela e ao repreendê-la, ela teria abusado flagrantemente nos meios de correção ou disciplina. E teria uma causa de aumento de pena, porque foi cometido com uma criança de 10 anos de idade", explicou a promotora de Justiça Tânia Nagib Abou Haidar Guedes.
A denúncia só veio à tona por meio do próprio menino, durante atendimento do Conselho Tutelar na casa da família. "A confirmação veio do próprio aluno (...). E aí ele acabou falando para nós que a professora diretora havia mandado ele tomar urina. Essas são as palavras dele, ele falou assim: 'eu obedeci'. E aí ele tomou essa urina", relatou a conselheira tutelar Adriana da Silva. A vice-diretora e a secretária da escola também podem responder por omissão, por, em tese, terem presenciado a cena sem intervir.
A diretora, a vice-diretora e a secretária foram afastadas preventivamente por 60 dias, e a direção passou a ser exercida por outros servidores da Secretaria de Educação. O menino segue nas aulas na mesma unidade e recebe acompanhamento psicológico com a mãe. Procurada, a diretora informou que não vai se manifestar; as defesas das outras duas servidoras não foram localizadas.
