
O mês de conscientização contra a violência doméstica em Santa Catarina está sendo marcado, na prática, pelo contrário daquilo que pretende combater. Em pouco mais de duas semanas, quatro mulheres foram assassinadas em casos tratados pela polícia como feminicídio na região sul do estado, todos eles envolvendo companheiros, ex-companheiros ou pessoas com quem as vítimas mantinham algum tipo de relacionamento.
O primeiro crime aconteceu no dia 3 de agosto, no Centro de Imbituba. Viviany Souza, de 47 anos, morreu depois de ser atacada a golpes de faca dentro da própria casa. O companheiro da vítima, de 63 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, e o caso foi classificado como feminicídio.
Três dias depois, na virada do dia 6 para o dia 7 de agosto, outro crime chocou a região sul: em Sangão, Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, moradora de Morro da Fumaça e recém-ingressa no curso de Ciências Biológicas da Unesc, foi morta pelo namorado, José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, dentro da casa onde o casal morava.
Segundo a investigação, os dois discutiram depois que Joviana encontrou mensagens dele trocadas com outras mulheres, e quando ela tentou deixar a residência, o rapaz a impediu e aplicou um golpe de estrangulamento conhecido como "mata-leão".
O corpo só foi encontrado na manhã do dia 10, depois que a mãe da jovem, desconfiada de mensagens estranhas enviadas pelo celular da filha, foi até a casa do namorado e acionou a Polícia Militar. José Gustavo chegou a se esconder em uma área de matagal antes de se apresentar à polícia e confessar o crime. O laudo da Polícia Científica confirmou, dias depois, que a morte foi causada por asfixia por constrição cervical.
Dez dias mais tarde, em Criciúma, uma terceira mulher foi encontrada sem vida dentro de casa. Luana Mendes Darella, de 29 anos e mãe de duas crianças, foi localizada na manhã do dia 16 no bairro Fábio Silva, com sinais de estrangulamento.
A Polícia Militar chegou ao local por volta das 10h50 e encontrou os dois filhos da vítima, de 4 e 7 anos, sob os cuidados de vizinhos; posteriormente, as crianças foram entregues à avó materna com o apoio do Conselho Tutelar. Peritos também identificaram manchas de sangue sobre um tapete da residência, ainda sem origem esclarecida. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha com a hipótese de o crime ter sido cometido por alguém próximo à vítima.
O quarto e mais recente caso ocorreu na madrugada do último sábado, dia 22, também em Criciúma. Neide Pavan Vieira, de 68 anos, e seu companheiro, Afonso Becker, de 70, foram mortos a tiros dentro de casa, no bairro Mina do Toco. De acordo com as informações preliminares, o autor dos disparos foi o ex-companheiro de Neide, que teria arrombado a porta do imóvel antes de atirar contra o casal.
Uma vizinha testemunhou parte do crime e acionou a polícia; segundo o relato dela, Neide vinha recebendo ameaças do ex-companheiro havia algum tempo, mas evitava comentar o assunto. O suspeito fugiu em um carro que depois foi encontrado abandonado, e até a manhã deste domingo (23) não havia sido localizado pelas equipes de busca.
