
Laguna foi um dos principais portos do Sul do Brasil durante os séculos XVIII e XIX. E, como ocorreu em diversas cidades portuárias brasileiras, pesquisadores levantam a possibilidade de que a cidade também tenha convivido com uma das figuras mais cruéis e esquecidas da escravidão urbana: os chamados “escravos-tigre”.
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O tema ainda carece de registros conclusivos específicos sobre Laguna, mas estudos sobre a escravidão no litoral catarinense indicam que a cidade fazia parte de uma rede econômica sustentada pelo trabalho escravizado.
Os chamados escravos-tigre eram pessoas escravizadas obrigadas a transportar tonéis de fezes e urina pelas ruas, em uma época anterior à existência de sistemas de esgoto. Os barris frequentemente vazavam, e a amônia presente nos dejetos queimava a pele, deixando marcas claras pelo corpo — origem do apelido “tigre”.
O historiador Luiz Felipe de Alencastro descreve esses trabalhadores como escravizados de aluguel, cedidos pelos senhores para prestar serviços a diferentes famílias nas cidades brasileiras.
A prática fazia parte da chamada escravidão urbana, um dos capítulos mais obscuros da história do país. Para pesquisadores, o uso da mão de obra escravizada também contribuiu para atrasar investimentos em saneamento básico no Brasil imperial.
Uma dissertação defendida na Universidade Federal de Santa Catarina em 2021, pelo pesquisador André Fernandes Passos, mapeou a escravidão no litoral catarinense entre 1750 e 1850. O estudo aponta Laguna como um dos centros dessa dinâmica histórica e cita documentos preservados no Arquivo Municipal Casa Candemil.
Apesar disso, ainda não há comprovação documental definitiva sobre a presença específica dos chamados escravos-tigre na cidade. Historiadores ressaltam que parte importante da memória da escravidão urbana brasileira permanece pouco documentada ou esquecida.
Especialistas destacam que discutir esse passado não significa exaltá-lo, mas compreender uma realidade marcada pela violência, desumanização e exploração de pessoas escravizadas, uma herança histórica que ainda impacta a sociedade brasileira.
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