
O sonho de comandar o Brasil nunca esteve nos planos de Aldenize Ferreira da Silva. Técnica de enfermagem formada em 2023, ela buscava apenas uma oportunidade de trabalho quando recebeu uma informação inusitada e constrangedora: há 24 anos e dois meses, segundo os registros oficiais, ela ocupa o cargo de presidente da República.
A descoberta ocorreu na Agência do Trabalhador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Ao consultar o CPF da candidata, o atendente encontrou um vínculo empregatício em aberto desde 14 de março de 2002, com a ocupação descrita como “presidente da República”, vinculada à prefeitura municipal. O registro também aparece na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital, com salário inicial de R$ 201,60.
Aldenize contou que, ao ouvir a informação, ficou em choque. “Me senti como um palhaço”, afirmou. Desempregada há anos, ela teme que a inconsistência tenha dificultado sua recolocação profissional e possa trazer problemas futuros, inclusive na aposentadoria. Segundo ela, sua única passagem pela prefeitura foi como merendeira em uma escola da zona rural, entre 2000 e 2002.
A profissional relatou que atuava em uma escola da comunidade de Manassu, onde desempenhava diversas funções, desde o preparo da merenda até serviços gerais. O vínculo, no entanto, nunca foi formalizado em carteira. Hoje, além da formação em enfermagem, Aldenize também trabalha como cuidadora de idosos e faz serviços eventuais enquanto busca um emprego formal na área da saúde.
A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que o erro ocorreu durante a transição do antigo sistema SEFIP para o eSocial. Segundo o município, alguns servidores comissionados foram cadastrados de forma equivocada com o título genérico de “presidente da República”. A administração orientou Aldenize a procurar a Unidade de Gestão de Pessoas para regularizar a situação.
O caso ganhou repercussão nacional e, após a divulgação, outras duas mulheres também relataram ter encontrado o mesmo cargo em seus registros trabalhistas. Enquanto aguarda a correção, Aldenize segue à procura de uma vaga como técnica de enfermagem — desta vez, em uma função bem menos poderosa, mas muito mais compatível com sua trajetória.
