
O navio Pallas, conhecido como o “Titanic de SC”, poderá ser retirado do fundo do canal de acesso ao Porto de Itajaí após mais de 130 anos submerso. O anúncio foi feito pelo superintendente do porto, Artur Antunes Pereira, que confirmou a assinatura, na próxima segunda-feira (25), do contrato para a realização de um estudo técnico sobre a remoção da embarcação.
O objetivo da medida é ampliar a navegabilidade do complexo portuário e permitir a entrada de navios maiores em Itajaí. Segundo o superintendente, a retirada do casco faz parte do projeto de modernização da infraestrutura portuária da região.
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas era um navio a vapor utilizado no transporte de carnes e cargas entre Buenos Aires e o Rio de Janeiro. Há registros de que a embarcação também realizava escalas em Itajaí para operações relacionadas ao carvão
O navio ganhou relevância histórica durante a Revolta da Armada, em 1893, movimento promovido por setores da Marinha contra o governo de Floriano Peixoto. Apesar disso, pesquisadores apontam que a embarcação foi utilizada principalmente para transporte e abastecimento.
O naufrágio ocorreu em 25 de outubro de 1893, na região da barra do Porto de Itajaí, próximo à praia de Navegantes. Com o passar do tempo, os destroços ficaram esquecidos até serem reencontrados em 2017 durante obras de dragagem no rio Itajaí-Açu.
Na época, uma draga utilizada para aprofundar o canal atingiu a estrutura submersa, interrompendo temporariamente os trabalhos e dando início a uma investigação histórica e arqueológica.
Pesquisas realizadas em arquivos históricos, documentos da Marinha e registros internacionais indicaram que o Pallas possui cerca de 67 metros de comprimento e está partido ao meio no fundo do rio, com as partes separadas por aproximadamente 40 metros.
A retirada do casco, no entanto, envolve desafios técnicos importantes. Conforme a Fiesc, a área apresenta baixa visibilidade, fundo lodoso, correnteza intensa, água contaminada e tráfego constante de embarcações de grande porte.
Além disso, o processo depende de autorizações e acompanhamento de diferentes órgãos. O Iphan também participa das tratativas para garantir a preservação arqueológica da embarcação, considerada um dos naufrágios históricos mais emblemáticos do litoral catarinense.
