
A tubaronense Victoria Salgado é filha da jornalista Mylene Salgado e cresceu vendo de perto o cotidiano da política catarinense. Foi na adolescência, durante as Jornadas de Junho de 2013 e o processo que resultou no impeachment de Dilma Rousseff, que a candidata a deputada estadual pelo PDT afirma ter começado a formar sua consciência política, em meio a debates constantes dentro e fora da sala de aula.
O HC Notícias conversou com ela nesta semana, quando ela falou sobre sua trajetória, as dificuldades da campanha e os planos para um eventual mandato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
O engajamento partidário veio em 2018, quando Victoria se envolveu na campanha presidencial de Ciro Gomes e passou a se aproximar do PDT. "Me interessou muito esse projeto, então me engajei aqui na campanha, passei ali no centro, no calçadão", contou. A candidata explica que a identificação com a sigla nasceu de uma afinidade ideológica construída aos poucos, a partir do contato com a história do trabalhismo brasileiro e de nomes como Leonel Brizola, Getúlio Vargas e Jango.
Em 2019, aos 19 anos, assumiu a presidência da juventude do partido em Tubarão. A trajetória política de Victoria se consolidou dentro do movimento estudantil, quando ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina para cursar Direito. Na UFSC, presidiu o Centro Acadêmico XI de Fevereiro, tradicional entidade estudantil catarinense, e pouco depois assumiu a vice-presidência da União Catarinense dos Estudantes.
É a partir dessa vivência que a candidata defende a educação básica como sua principal bandeira para um eventual mandato. "Eu acho que Santa Catarina está muito aquém na educação básica, ensino fundamental, médio, do que em comparação ao resto do país. Eu acho que se a gente bate no peito para dizer que somos o melhor estado do Brasil e temos o melhor IDH, a gente também tem que corresponder na educação", afirmou.
Sobre os desafios da campanha, Victoria aponta a falta de estrutura financeira como o principal entrave até o momento, resultado de um imbróglio no Tribunal Superior Eleitoral que atrasou o repasse do fundo eleitoral aos partidos e, consequentemente, aos candidatos. "A gente vê material na rua, material distribuído, mas todos esses materiais são de pessoas que já têm dinheiro, que tiraram do bolso. Então a gente vê o quanto a política muitas vezes é cruel para quem é jovem, para quem não tem base familiar para te dar esse dinheiro para gastar na campanha", avaliou.
Enquanto o recurso não chega, a estratégia da campanha está concentrada nas redes sociais, com planos de intensificar a militância de rua assim que o material impresso estiver disponível.
Victoria disse ter se decepcionado com o que viu durante o período em que trabalhou na Assembleia Legislativa catarinense, quando observou de perto a tramitação de projetos flagrantemente inconstitucionais. "Não barram na CCJ por questão política, porque querem que passe. Aí eles aprovam, o judiciário tem que intervir, e quem fica malvisto é o judiciário, não quem aprovou o projeto inconstitucional", pontuou.
Questionada sobre o que diria a quem está desiludido com a política, a candidata defendeu que é preciso apostar em uma nova geração disposta a romper com práticas antigas. "Eu diria para acreditar numa nova geração que está disposta a fazer esse enfrentamento com a velha política, com os velhos acordos, os velhos conchavos", declarou.
