
A Polícia Civil de Santa Catarina acredita que a mulher suspeita de matar o marido envenenado em Videira tenha se aproveitado da repercussão nacional da chamada “crise do metanol” para tentar encobrir o crime.
Segundo a investigação, ela teria colocado metanol na cerveja consumida pelo empresário Pedro Rodrigues Alves, de 54 anos, dono de uma funerária na cidade. O homem morreu em 15 de fevereiro deste ano, após passar dez dias internado em estado grave.
De acordo com o delegado Édipo Flamia, a coincidência entre o período do envenenamento e o surto nacional causado por bebidas adulteradas levantou a suspeita de que o crime tenha sido planejado para parecer um caso semelhante aos registrados no país em 2025.
A chamada “crise do metanol” ficou marcada por diversos casos de intoxicação após o consumo de bebidas alcoólicas falsificadas contaminadas com a substância, altamente tóxica e utilizada em processos industriais.
As investigações apontam que a esposa da vítima e o amante dela teriam arquitetado o assassinato motivados pelo desejo de viver juntos e também por interesses financeiros. Os dois foram indiciados e seguem presos preventivamente.
Conforme a Polícia Civil, o empresário teria sido intoxicado ao longo de semanas com diferentes substâncias. Além do metanol misturado à cerveja, a suspeita também teria colocado soda cáustica nos medicamentos da vítima e administrado “chumbinho”, produto clandestino proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Pedro Rodrigues Alves foi internado no Hospital Divino Salvador, em Videira, no dia 5 de fevereiro. Sem apresentar melhora, passou por exames toxicológicos que confirmaram intoxicação por substâncias químicas. Ele morreu dois dias após o resultado ser divulgado.
Os investigadores também afirmam que os suspeitos tentaram eliminar provas físicas e digitais para fazer a morte parecer natural. A polícia ainda apurou que a mulher realizou pagamentos a um enfermeiro da UTI para obter informações sobre o estado clínico do marido durante a internação. O profissional responde administrativamente por suposta quebra de normas éticas e internas do hospital.
A esposa está presa em Chapecó, enquanto o amante foi detido em Palmas. Durante os interrogatórios, ambos optaram por permanecer em silêncio.
Eles poderão responder por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de veneno e emprego de meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima.
